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Mostrando postagens de Fevereiro 3, 2015

Zé ninguém

Como um zé se transforma em José, deixando para trás qualquer zé



O José não é só mais um zé não. O José é das antigas e, mesmo hoje, ainda está por lá. Chegou pelas bandas pouco depois da fundação da vila. Veio de longe e trouxe o aprendizado antigo de falar só quando necessário e nunca (nunca mesmo) se separar do verbo "fazer". José é e sempre foi um fazedor. Ajudou na construção de dezena das casas que formariam o núcleo da vila. Socorria com os encanamentos, auxiliava na compra de algumas marmitas em épocas de mutirão, facilitava a distribuição de gás. Nesse começo, o José não ligava de ser chamado de Zé e foi fazendo assim um grupo representativo de amizades. Pagava dose ou outra de cachaça nos botecos, organizava as disputas na sinuca e no truco. O José começou a se fazer numa época em que palavras valiam mais que todas as outras coisas. Virou líder da associação dos moradores da vila, não diretamente, mas indicado pelos residentes mais antigos (e, por isso, mais influente…